Profissional de contabilidade é quem melhor pode "traduzir" a Reforma Trabalhista

A Consolidação das Leis do Trabalho, a conhecida CLT, foi sancionada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas. Sofreu alterações, mas há 74 anos é nosso principal instrumento regulamentador das relações de trabalho. Termos uma Reforma Trabalhista, mesmo imperfeita, é sem dúvidas um avanço significativo. Mas qual será o impacto para sua empresa? Você já recebeu ou pediu orientações à sua empresa contábil sobre este novo cenário? Se não o fez, a hora é essa.

O profissional de contabilidade é quem melhor pode "traduzir" os mais de 100 pontos da CLT da nova legislação trabalhista vigente a partir de 11/11/2017. Mais do que analisar os impactos, ele verifica se a reforma pode reduzir o risco operacional do seu negócio. Por outro lado, é uma boa chance para empresas contábeis estreitarem relações com clientes e mostrarem que seu trabalho extrapola emitir guias para pagamentos de impostos.

É preciso cada vez mais ver as empresas contábeis como parceiras de negócios. A Reforma Trabalhista revela o poder consultivo dessa parceria para que os empresários prevejam oportunidades, problemas e impactos para o negócio no dia a dia. Muitos pontos favorecem tanto empregado quanto empregador, mas sozinho o empresário não consegue interpretar tais mudanças.

A maioria das novas regras da reforma se relaciona às questões contratuais empregador-empregado.

Desenvolver uma equipe jurídica para auxiliá-los nessa esfera pode inclusive ser um diferencial e mais uma oportunidade de valorizar as empresas contábeis. Como a Folha de Pagamentos é quase sempre o maior custo dentro da empresa, é função do profissional de contabilidade fornecer aos clientes dados que podem trazer flexibilidade ao empregador.

Se não reduzir custos, sem dúvida reduzirá riscos fiscais e trabalhistas.

Nossa economia sofre muito com o custo Brasil pelo engessamento da legislação fiscal, contábil e trabalhista - esta em particular uma das mais complexas do mundo, além de extremamente onerosa ao empregador.

Ainda não é o ideal, mas a Reforma Trabalhista já mostra evolução e simplificação dos processos, buscando se adequar aos dias atuais. Dará trabalho, mas temos de começar para mudanças ocorrerem. Aos poucos, evoluímos.

Fonte: Contadores.CNT

10 erros que (quase) todo empreendedor comete no primeiro negócio

É impossível fazer tudo certo no mundo dos negócios – especialmente se você está pensando no seu primeiro empreendimento.

Mesmo assim, isso não quer dizer que você precise cometer os erros mais básicos: um pouco de capacitação antes de empreender pode evitar muita dor de cabeça.

Por isso, EXAME.com conversou com empreendedores e elencou as principais falhas de quem está entrando nessa carreira. Elas vão desde deixar de elaborar um plano de negócios até desistir no primeiro obstáculo enfrentado.

Quer abrir um negócio próprio? Confira, então, se você comete algum dos erros a seguir:

1 — Achar que empreender trará dinheiro rápido

Inspirados por histórias de sucesso, muitos aspirantes a empreendedores acham que ter um negócio próprio é a solução para ganhar dinheiro de forma rápida. Pelo contrário: seu empreendimento pode demorar meses, e até anos, até dar algum lucro.

“Um negócio é sempre pensado em longo prazo. É preciso ter em mente que o caminho é longo, e os desafios serão muitos”, afirma Aleksandar Mandic, sócio-fundador do aplicativo Wi-Fi Magic.

2 — Superestimar o crescimento do seu negócio

Outro erro comum é subestimar a concorrência e considerar que sua nova empresa conseguirá uma alta participação de mercado nos primeiros meses de operação, diz Eduardo Peres, CEO da consultoria de finanças corporativas GlobalTrevo.

“Na maioria dos casos, você não conseguirá esse market share: cada ponto percentual será conquistado duramente. É preciso levar em consideração que essa demora poderá afetar o capital de giro da empresa e a necessidade de caixa.”

3 — Não saber qual é o seu diferencial

Para não superestimar e subestimar seu empreendimento, é essencial compreender o que seu negócio tem a oferecer de diferente. A partir desse entendimento, será mais fácil abordar consumidores, fornecedores e investidores.

“Muitas empresas erram na hora da abordagem comercial, o que diminui possibilidades. É preciso abordar ressaltando seus diferenciais competitivos”, diz Daniel Mourão, CEO da agência de comunicação BBro.

“Se você não sabe qual seu diferencial, coloque-se no lugar de seu possível consumidor e responda a pergunta ‘Por que eu fecharia com essa empresa e não com outras?’.”

4 — Empreender em uma área totalmente desconhecida

Ninguém está pedindo que você seja um mestre no mercado em que você irá atuar logo de cara. Porém, não dá para abrir um empreendimento sem ao menos ter pesquisado mais sobre seu futuro setor.

“Para ser empreendedor, você precisa dominar seu campo de atuação. Saiba o que você irá fazer, como irá fazer, qual seu posicionamento e o que os concorrentes fazem, por exemplo”, aconselha Mandic, do Wi-Fi Magic.

Isso passa pela elaboração de um plano de negócios completo. “Invista tempo em análises de mercado, de concorrência, de precificação e de diferenciais. Com isso, suas chances de erro são reduzidas e seus desafios a enfrentar ficarão mais claros”, complementa Peres, da GlobalTrevo.

5 — Esperar que os clientes venham até você

Outro erro diário de muitas empresas iniciantes é não investir em “follow up”, segundo Mourão, da BBro. Ou seja: não fazer um esforço para ter mais uma conversa com o cliente e, assim, fechar negócio.

“As pessoas são bombardeadas por milhares de informações dia a dia. Elas não têm tempo para gerir a quantidade de decisões que precisam tomar”, diz o CEO.

“Por isso, crie estratégias relevantes e inteligentes para esquentar o relacionamento com aqueles que demonstraram interesse em comprar seus produtos ou serviços, mas que ainda não concretizaram a venda. Seus clientes inativos já experimentaram seus produtos e serviços e talvez possam vir a consumir novamente.”

6 — Investir rios de dinheiro em qualquer tipo de marketing

Mais uma falha é não investir nada em comunicação, e não conseguir consumidor para comprar seu ótimo produto ou serviço.

Ou, pior ainda: investir muito em uma abordagem de marketing errada, e, assim, comprometer a sobrevivência da sua empresa. Colocar muito dinheiro em qualquer veículo de mídia para qualquer tipo de público não é só uma má estratégia de marketing: também afeta seriamente o caixa do seu negócio.

“Vemos que investimentos elevados em marketing quando a empresa não está preparada para entregar grande quantidade de seus produtos ou serviços costumam drenar recursos financeiros, além de manchar a marca da empresa”, avalia Peres, da GlobalTrevo.

Para não errar, invista em uma estratégia que envolva resultados mensuráveis. “É preciso aferir e calcular os retornos sob seus investimentos em comunicação. Sempre responda esta pergunta: ‘Quais os canais que trazem os volumes de clientes pra você?’”, diz Mourão, da BBro.

7 — Ignorar o poder dos buscadores e das redes sociais

Ainda falando sobre marketing, um outro erro é desprezar o poder que buscadores e redes sociais podem ter para impulsionar as vendas do seu negócio, por meio de pouco investimento.

“No momento que você lê essa dica, alguém está em algum mecanismo de busca procurando por um produto ou serviço que você pode oferecer. Esse consumidor tem alta propensão em adquirir o seu produto ou da concorrência”, diz Mourão, da BBro.

“Você possui estratégias de comunicação que acionam os consumidores que estão no estágio de aquisição do seu produto e serviço em mecanismos de busca? Se a resposta for negativa, desenvolva-as agora!”

8 — Desconsiderar o capital de giro no seu orçamento

Indo para a parte financeira, o maior erro cometido por empreendedores de primeiro é esquecer do capital de giro: aquele dinheiro reservado para a sobrevivência do negócio enquanto o dinheiro não chega.

“Os empreendedores se preocupam muito com investimentos de longo prazo, como retorno do capital inicial investido. Porém, poucos analisam o capital de giro que será necessário para a nova operação: por exemplo, estoque, impostos, pagamento de salários e prazos de recebimento de clientes e de pagamentos para fornecedores”, elenca Peres, da GlobalTrevo.

9 — Deixar de lado o caixa da empresa

Além do capital de giro, é preciso estar atento ao fluxo de caixa diário da empresa: ou seja, seu fluxo de receitas e despesas. No começo do negócio, em que as receitas ainda não são recorrentes, essa é uma tarefa ainda mais importante.

“O controle de caixa, com prazos de pagamentos sempre alongados e manutenção de estrutura enxuta e necessária, é importante para não expor a empresa a dívidas ou até mesmo a interrupção de suas atividades. Já vimos projetos incríveis de startups serem abortados por falta de caixa após meses do início da operação”, diz Peres, da GlobalTrevo.

Mandic, do Wi-Fi Magic, dá uma metáfora para gerenciar uma empresa sem olhar o caixa: é como dirigir sem verificar o tanque de combustível. “Se você é um bom piloto, tem que saber se o carro está abastecido para chegar até o local que você deseja.”

10 — Desistir na primeira dificuldade

Por fim, a última falha dos empreendedores iniciantes é desistir do negócio diante do primeiro obstáculo. Quando estiver deprimido, pare e pense: será que esse não é um problema básico, e você está abandonando o projeto apenas por falta de vontade?

“Para empreender, é preciso ter não apenas foco. Entram no conjunto determinação e persistência”, afirma Mandic, do Wi-Fi Magic.

Fonte: Exame.com

Gestão dos impostos indiretos é dificuldade em 89% das empresas

A gestão dos impostos indiretos é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras. A alta complexidade tributária, as diferentes legislações para sua aplicação nos estados e municípios e a necessidade de envolvimento de diversos setores na tarefa de responder às exigências do Fisco são algumas das razões pelas quais 89% das empresas brasileiras admitam ter grande dificuldade em manter-se em conformidade.

O resultado está na sondagem de opinião Desafios da Gestão de Impostos Indiretos no Brasil, realizada pela Thomson Reuters, provedor líder mundial em notícias e informação para mercados profissionais, durante o Sinergy 2016, promovido no mês de outubro, em São Paulo. Para elaborar o estudo, foram ouvidos 39 líderes de área de impostos e finanças de grandes empresas com atuação no mercado brasileiro durante o evento global, que discute o papel da tecnologia na transformação da área contábil, fiscal e de gestão do comércio exterior.

O objetivo da pesquisa, diz o especialista em soluções fiscais e tributárias da Thomson Reuters, Renato Promenzio, foi compreender como o aumento nos últimos anos de impostos indiretos vinha sendo assimilado pelos clientes. A resposta foi ainda mais alarmante do que o esperado. Os gestores não estão conseguindo responder integralmente às exigências fiscais, ou seja, têm grande dificuldade em pontos-chave à sobrevivência das empresas atualmente.

Dos entrevistados, 53,85% apontam que a principal dificuldade da sua empresa ao realizar a gestão de impostos indiretos está em manter-se em compliance (conformidade, em inglês) e evitar possíveis penalidades e juros. Outros 51,28% afirmam que a dependência do departamento de TI (Tecnologia da Informação) para atualizar a política fiscal torna os processos mais lentos e inseguros.

Em terceiro lugar está a demora nos processos de transação manual, com 38,46% das respostas. Mesmo que 89,74% dos profissionais afirmem que a empresa onde trabalha já tem implantado o ERP (Planejamento de Recurso Corporativo, em inglês), sistema de informação que integra todos os dados e processos de uma organização, muitas atualizações são feitas manualmente, gerando um gasto de tempo desnecessário. Em cerca de 30% das empresas, as equipes ou profissionais contábeis gastam de 20% a 40% do seu tempo com a atualização de políticas fiscais.

Outros 25,6% destes profissionais afirmam que de 40% a 60% do tempo de sua equipe é dedicado a essa atualização. Paralelamente, praticamente todos (95%) gostariam de dedicar mais tempo à análise de dados e à tomada de decisões estratégicas para a gestão fiscal da organização. Os gestores escutados acreditam que a tecnologia pode ser uma importante aliada na melhoria da gestão dos tributos indiretos e que a automação desses impostos simplifica o processo de conformidade fiscal.

O custo de conformidade – ou seja, os recursos necessários para cumprir a complexa legislação tributária – é alto, diz a advogada e sócia da área Tributária do De Vivo, Whitaker e Castro Advogados, Vanessa Inhasz Cardoso. Entre as obrigações estão emissão de notas fiscais, escrituração de livros, entrega de declarações e manutenção de documentos fiscais em perfeita ordem, para exibição ao Fisco quando solicitado.

O maior impacto para as empresas é o custo financeiro dos tributos indiretos, pontua a especialista, “seja em razão da carga tributária que as empresas estão sujeitas ou em razão do custo para administração e gerenciamento dos tributos”. “Notamos que as empresas de médio e grande porte mudam de estado e município de acordo com as políticas fiscais adotadas nesses locais”, exemplifica Promenzio.

Talvez hoje a melhor saída para a simplificação tributária seja investir em softwares que possam ser atualizados pela empresa gestora do sistema em tempo real a partir das alterações na legislação ou nas exigências de dados e nos leiautes definidos pelo Fisco.

Brasileiros não compreendem a tributação indireta

Pesquisa realizada pela Fecomércio do Rio de Janeiro e Ipsos no ano passado, com mais de mil brasileiros de 72 municípios, aponta que apenas 50% das pessoas afirmaram perceber o pagamentos de impostos sobre produtos e serviços (indiretos). Esse número aumenta vertiginosamente quando é avaliada a consciência sobre impostos em geral – 78% dos entrevistados demonstraram reconhecer que pagam tributos. Porém os primeiros impostos lembrados são os tributos municipais – IPTU e taxas de iluminação e lixo (74%).

Apesar da edição da Lei nº 12.741/12, que criou a necessidade de indicação dos tributos incidentes sobre os produtos e serviços vendidos, a compreensão por parte dos consumidores ainda não chegou ao patamar ideal. “Há muito desconhecimento da maior parte da população brasileira sobre a problemática dos tributos indiretos”, reflete a advogada Vanessa Inhasz Cardoso. Uma das ferramentas mais discutidas é a criação de um im posto único, seguindo o modelo do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), usado inclusive em países vizinhos, como Uruguai e Argentina, e europeus.

A mudança vem sendo discutida no Brasil há muitos anos e faz parte da reforma tributária, que tramita no Congresso há mais de 30 anos. A ideia de adoção do IVA no Brasil buscaria substituir os três principais tributos indiretos (IPI, ICMS e ISS) por um único imposto sobre o valor agregado. Também há propostas para inclusão do PIS e da Cofins em uma cobrança unificada. Porém a alteração em questão é uma operação complexa e que envolve todos os estados e municípios brasileiros. “Um dos problemas que são suscitados quando se discute sobre a instituição do IVA é sobre a escolha da técnica”, lembra Vanessa.

Existem basicamente duas opções: desconto de imposto sobre imposto e a denominada compensação da base sobre a base. “O Brasil já adota o sistema de desconto do imposto sobre imposto, para fins do ICMS e IPI, razão pela qual seria mais fácil a utilização dessa técnica”, explica a advogada. Outro problema é a divisão da arrecadação do imposto entre estados e municípios de origem e destino. “Isso já é um problema dentro do sistema atual e que teria que ser melhor avaliado em um possível sistema alternativo do IVA. A solução é bem difícil e depende da análise de dados econômicos e financeiros dos referidos entes”, prevê a especialista.

Modelo em vigor acirra a guerra fiscal

As alíquotas de Imposto de Renda jurídica estão em queda em todo o mundo. Na medida em que tentam resolver déficits orçamentários, as autoridades tributárias buscam aumentar as alíquotas de impostos indiretos e a fiscalização para produzir receitas adicionais e compensar a queda de receita com o Imposto de Renda. Simultaneamente, sistemas fiscais estão se tornando ainda mais sofisticados na identificação de erros e na recuperação dos impostos, impondo uma pressão ainda maior sobre a receita da empresa.

Devido às constantes mudanças nos impostos indiretos, empresas de todos os tipos e em todo o mundo estão se esforçando para atingir a regularidade. Os departamentos de impostos estão mais focados em reduzir riscos, aumentando a precisão, agilizando a automação de ponta a ponta e centralizando o controle de determinação e cumprimento de obrigações fiscais. O Brasil apresenta um alto volume de alterações tributárias – em torno de 17 mil anuais. Desse total, 60% são de tributos indiretos.

O ICMS é o imposto indireto com maior número de alterações, de acordo com o estado. Há três ordens distintas e autônomas de tributação. A União, os estados e os municípios podem instituir e definir os critérios de incidência dos tributos, desde que observados os limites constitucionais. Um dos efeitos da opção por investir nos impostos indiretos nos moldes em que são adotados no País é a guerra fiscal entre estados e municípios. O fenômeno é antigo e amplamente utilizado para manter ou atrair novos investimentos nos territórios mediante a concessão de incentivos fiscais (redução de alíquotas, redução da base de cálculo dos tributos, postergação do pagamento dos impostos – diferimento e concessão de créditos presumidos).

Conforme a advogada e sócia da área Tributária do De Vivo, Whitaker e Castro Advogados, Vanessa Inhasz Cardoso, a guerra fiscal está, sim, relacionada com a estrutura tributária que o Brasil adota, o que acaba impactando o crescimento econômico, e a tributação elevada afasta novos investimentos, além de onerar os contribuintes. “Essa forma cria anomalias no regime que acabam por prejudicar o sistema como um todo.

A busca por mecanismos que melhorem a arrecadação e contribuam para a sustentabilidade do pacto federativo é um tema que precisa ser discutido seriamente pelos órgãos representativos de classe, juristas, economistas e deputados/ senadores”, defende.

Fonte: Jornal do Comércio

Qual melhor regime tributário a adotar para abertura de uma empresa?

Mature-Businessman-ThinkingUma das principais dúvidas do empreendedor na hora de constituir sua empresa é sobre qual seria o melhor regime tributário a adotar. A grande questão é como maximizar a opção escolhida. O profissional de contabilidade tem papel fundamental em orientar o empresário neste sentido.

É claro que cada empresa tem suas particularidades e, cada caso, é um caso. Não há nada que possa substituir a análise criteriosa e individual de um profissional da área. Mas, em termos gerais, é possível apontar alguns caminhos. Ao menos dar uma visão ampla sobre como se pode proceder.

Costumo dizer que o ponto de partida para essa análise é, sem dúvida, a receita anual da empresa. Se a companhia possuir faturamento bruto inferior a R$ 3,6 milhões, o empresário pode optar pelo Simples Nacional, que pode ser considerado vantajoso em diversos aspectos. O ramo de atuação também conta, pois o sistema não está disponível para todas as áreas, por isso é preciso checar o CNAE (Classificação Nacional de Atividade Econômica) da atividade principal de sua firma. Com a nova Lei do Simples que está sendo votada, algumas mudanças estão para acontecer, como, por exemplo, a criação de uma faixa de transição para empresas com até R$ 4,8 milhões de faturamento anual para aquelas que estourarem o teto.

De forma geral, o Simples Nacional oferece possibilidades de menor tributação, além de maior facilidade no atendimento das legislações tributária, previdenciária e trabalhista. Também é possível simplificar o pagamento de diversos tributos mediante uma única guia e, ainda, tributar as receitas à medida do recebimento das vendas. Existem diversas outras vantagens, bem como alguns pontos não tão positivos assim – mas esse tema merece texto especialmente para ele. Só cuidado para não ligar no automático, pois, em alguns casos, mesmo tendo os pré-requisitos, a escolha do Simples não é a melhor opção.

Além do Simples, o empreendedor ainda conta com outras formas de tributação: o lucro real e o lucro presumido. No caso deste último, a apuração do IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) têm por base de cálculo uma margem de lucro pré-fixada pela legislação, de acordo com a atividade da empresa. Nesse caso, também fica dispensado o cálculo do lucro efetivamente auferido em sua atividade, exceto o derivado de situações específicas, como ganho de capital e lucros com transações financeiras, entre outras. Já quando falamos sobre o regime de lucro real, a empresa deve calcular o IRPJ e a CSLL sobre o lucro efetivamente auferido (com os ajustes previstos na legislação). Nesse caso, como não há uma margem de lucro presumida, se a empresa apurar prejuízos ao longo do ano, ficará dispensada do recolhimento desses tributos. Nesta tributação, o empresário ainda tem a obrigação de apresentar à Receita Federal diversas declarações e controles que não são exigidos para companhias que optam pelo lucro presumido. Mas, e o MEI (Microempreendedor Individual)? Esse sistema tem isenção nos tributos federais, além de pagar muito pouco pelos impostos estaduais e municipais. Para se ter uma ideia, o MEI não paga IRPJ, CSLL, IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) patronal, PIS e Cofins, enquanto paga o valor simbólico de R$ 5 como ISS (Imposto Sobre Serviços), além de R$ 1 como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias). Além disso, há o percentual de 11% sobre o salário mínimo para custear o INSS. Mas, para se encaixar nesse tipo de tributação, seu faturamento não deve ultrapassar os R$ 5.000 mensais, totalizando R$ 60 mil anuais. Fique atento, pois mudanças estão por vir, como o aumento do teto para R$ 81 mil. Sobre cada um desses regimes tributários há uma série imensa de especificidades e detalhes. Lembre-se, se você está pensando em abrir uma empresa, ou mesmo se já tem uma e acha que pode maximizar resultados, consulte profissional especializado. Com certeza ele poderá lhe esclarecer sobre a melhor maneira de lidar com o mercado, aumentar seus lucros e planejar seu negócio. Avante! Fonte: Jornal Contábil

Os 3 primeiros passos para começar um negócio do zero

empreender Ano novo, negócio novo. Será que dá? Começar um negócio do zero não é fácil. São muitos assuntos diferentes, detalhes a perder de vista e um sem fim de decisões que vão mudando ao longo do tempo. Mas, como disse Lao Tsé, uma longa caminhada começa com o primeiro passo. Então, como iniciar? A seguir estão listados os 3 primeiríssimos passos para quem quer iniciar um negócio do zero: 1. Identifique um problema não solucionado Toda empresa existe para solucionar um problema de alguém. Ou pelo menos é assim que deveria ser. O problema pode ser algo muito específico (como, por exemplo, a necessidade de bens de conveniência na vizinhança de um bairro qualquer) ou uma demanda mundial ainda não solucionada (como a necessidade dos motoristas de fugir do trânsito nas grandes cidades). Muitas vezes, esse problema é identificado por meio de conversas com o potencial cliente. Em outras, nem mesmo o cliente sabe que tem um problema até a solução ser ofertada (ou você sabia que precisava do Google antes dele existir?). Em suma, essa etapa pode ser estruturada e mecânica, por um lado, ou caótica e criativa, por outro. Mas o produto é o mesmo: uma lista de problemas não solucionados da população mundial, de empresas, governos, organizações sem fins lucrativos ou de grupos específicos. 2. Desenhe a solução para o problema identificado Aqui a dica de ouro é: quanto mais específico for o grupo que enfrenta o problema e quanto mais claro e bem definido for o problema, mais fácil será o desenho da solução. Nessa etapa, além de desenhar as características do seu produto e serviço, você deverá identificar quais serão os benefícios proporcionados ao seu público, que pode ser chamado agora de clientes. Esse conjunto de benefícios (ou atributos) é costumeiramente chamado no jargão técnico de “proposta de valor ao cliente”. É ela quem define porque ser cliente de sua empresa e não da concorrência. Nos exemplos anteriores, ela pode ser acesso fácil, ampla variedade de produtos e serviços, rapidez de atendimento e localização próxima (no caso da necessidade de bens de conveniência) ou um aplicativo para smartphones que desenhe as melhores rotas e que atualize conforme as alterações no tráfego (no caso da necessidade dos motoristas de fugir do trânsito). Teste a ideia com potenciais clientes. Se você não conseguir explicar com facilidade ou se seus amigos não ficarem rapidamente comovidos com a ideia, volte para a etapa anterior. 3. Construa o modelo de negócios O modelo de negócios deve mostrar a lógica de como sua empresa fará para produzir e entregar seus produtos e serviços aos clientes, criando valor para todas as partes. A proposta de valor (etapa anterior) é o coração do modelo, mas somente ela não é suficiente para entender como a empresa funcionará. É necessário entender, entre outros elementos, quais serão os canais para entregar a proposta de valor aos clientes, quais os principais recursos necessários (sejam físicos, como máquinas e equipamentos, ou intangíveis, como conhecimentos, fórmulas ou softwares), os estágios (a sequencia de movimentos e a velocidade de cada um) e a lógica financeira (como o negócio “para em pé”, balanceando receitas e custos de forma rentável). Entre diversas estruturas existentes de como modelar o negócio de sua nova empresa, duas se destacam: o diamante (Hambrick, 2001) e o BMG Canvas (Osterwalder & Pigneur, 2009). Procure na internet, será fácil de achar. Ambos os modelos seguem regras básicas similares: o modelo deve ser simples, fácil de explicar e entender, visual e deve caber em uma página de papel. E, se o modelo não for muito diferente do que já existe por aí, prepare-se para competir por preço. Com esses três passos iniciais, já será possível ter uma ideia geral do seu novo negócio e testar com potenciais clientes e investidores. Se as conversas forem animadoras, siga em frente com a preparação do plano de negócios detalhado, a busca de fontes de financiamento, a abertura legal da empresa e outras etapas preparatórias até o ponto de colocar o barco na água de vez. Pesquisas mostram que se preparar antes de iniciar um novo negócio aumenta muito as chances de sobrevivência nos primeiros anos. Ou, na pior das hipóteses, fará o empreendedor desistir de entrar em um negócio inviável, antes de investir tempo e dinheiro em vão. Um último recado: lembre-se que tocar um negócio próprio o fará esquecer finais de semana, férias longas e jornadas de “apenas” 8 horas por um bom tempo. Por outro lado, será gratificante realizar um sonho. Se estiver disposto, boa sorte! Fonte: Exame.com

7 dicas para acabar com a bagunça nas contas do seu negócio

money-256290_1280 Lidar com números costuma ser um desafio para empreendedores. Muitos criam o negócio a partir de uma ideia e, com a chegada da rotina, desesperam-se com a enxurrada de receitas e despesas. Essa dificuldade com as contas vem principalmente da falta de incentivo à educação financeira, afirma Rafael Mingone, sócio-diretor da RMG Capital e professor da Trevisan Escola de Negócios. “Há dificuldades nesse sentido tanto na vida da empresa quanto na vida pessoal. Muito do básico das finanças pode ser aplicado nas duas áreas, mas falta essa formação inicial, na escola mesmo”, argumenta. Essa falta de base se reflete na hora de abrir uma empresa: não há interesse em assumir o controle dos números. “Muitas vezes, quando um empreendedor inicia um negócio, o conhecimento dele é mais técnico. Ele presta bem um serviço, é um bom vendedor, mas não gosta de gerir”, completa João Natal, consultor de finanças do Sebrae de São Paulo. Outro ponto que leva à má gestão financeira é o empreendedor achar que consegue dar conta de tudo no seu negócio. “Isso acontece com uma parte dos donos de negócios: eles não montam uma estrutura adequada e acabam sobrecarregados. Acontece um colapso na gestão, em que o empreendedor não consegue administrar e verificar atividades, e o negócio perde oportunidades”, ressalta Gilberto Braga, professor do Ibmec do Rio de Janeiro. Com esses entraves, toda ajuda na hora da organizar as finanças é pouca. Se seu empreendimento passa por problemas nas contas, veja sete dicas para acabar com a bagunça nos números agora: 1. Separe o pessoal do empresarial Um erro comum na hora de organizar as finanças do negócio é misturar as contas do negócio e as contas pessoais, afirma Natal. “Esse empreendedor acredita que tudo que está ali é dele, que ele é a própria empresa. Porém, são duas pessoas: a física e a jurídica. Ele precisa entender que o único recurso dele lá é seu pró-labore.” 2. Reveja sua estrutura O grande sinal de que é preciso rever quem cuida das suas finanças é quando você perde oportunidades (e dinheiro) por conta da organização do negócio, afirma Braga. “Isso requer uma análise sobre delegação de autoridade. Talvez seja preciso criar uma cadeia de pessoas para a área financeira. Outras vezes, uma secretária já resolve. Depende do porte da empresa.” Isso também vale para a compra de programas de gestão. “Antes de sair pesquisando e comprando programas, verifique o quão necessário isso é para suas atividades. Costuma haver uma inversão: primeiro, o empreendedor compra o sistema e depois veem que ele não serve para seus problemas.” 3. Liste despesas e receitas, detalhadamente É preciso anotar detalhadamente as despesas do negócio: colocar custos fixos (como aluguel) e variáveis (como a comissão dos vendedores), inclusive em termos de vencimento do pagamento e em assuntos agrupados. “Isso dá uma boa visão do que entra e sai no negócio. Ajuda a ver o que é fundamental e o que pode ser diminuído ou cortado. Também permite que você veja onde investir para aumentar a receita”, explica Mingone. “Você não consegue fazer uma boa gestão sem esse controle.” O professor também recomenda manter essas tabelas e comparar os indicadores ao longo do tempo, para que o negócio adquira perspectivas. 4. Olhe o fluxo de caixa todos os dias Falando ainda sobre registrar entradas e saídas, é preciso estar atento ao fluxo de caixa do seu negócio: as movimentações que ocorrem diariamente na operação do seu negócio. Isso porque sua empresa pode até estar dando lucro, mas ele não necessariamente vem da operação, explica Mingone: pode vir da venda de um imóvel ocioso, por exemplo. “O lucro é uma medida econômica, mas o que reflete no dia a dia, na eficiência do negócio, é o fluxo de caixa operacional. Ele deveria ser olhado todos os dias, com uma lupa, porque mostra o quanto a atividade principal do negócio gera valor.” Esse fluxo de caixa deve ser olhado diariamente porque, ao fazer um controle semanal ou mensal, alguns dados podem ficar escondidos, explica Natal. “É melhor você ter um controle, saber com antecedência seus problemas financeiros, do que após você perceber que ‘comeu seu estoque’.” Por isso, no dia que você receber ou gastar um valor, inclua na hora no acompanhamento desse fluxo de caixa. 5. Saiba seus prazos Além de registrar o que acontece no dia a dia do empreendimento, é importante saber os prazos de pagamento e de recebimento de valores. Isso porque, quanto mais você conhecer seus prazos, melhor você negocia compras e vendas. “Se vou fazer uma compra e vejo que um certo dinheiro irá entrar na próxima semana, ou eu faço a compra casada com essa entrada ou negócio para pagar com uma semana de prazo. Porque há um crescimento dos meus recebimentos. Quando ele não consegue casar essa entrada e saída, e precisa antecipar os recebíveis, o que fica mais caro para a empresa." 6. Não conte com dinheiro que ainda não foi entregue Um outro ponto de atenção na hora de organizar as contas é o capital de giro. Na hora de considerar quanto dinheiro você tem em mãos, não conte aquela venda que está acertada, mas que ainda não caiu na conta. “Muitos empreendedores descartam a necessidade de ter dinheiro em caixa até o momento em que o cliente entrega o dinheiro prometido. Quando não pensam nisso, recorrem à antecipação de recebíveis, com juros, para bancar o negócio”, explica Natal. Ou seja: contar com valores que ainda estão no plano das ideias sai mais caro do que manter uma reserva para emergências. 7. Renegocie Agora que você já tem despesas e receitas contabilizadas, é possível ver quais contratos podem ser renegociados: por exemplo, uma compra recorrente com um fornecedor ou o aluguel do imóvel. Faça uma pesquisa de mercado e veja se o preço desse contrato é condizente com o que costuma ser pedido. Sempre é possível conversar, defende Braga. “Em momentos de crise, principalmente, as partes ficam mais propensas em ceder.” Fonte: Portal Contábeis